O brasileiro joga fora mais do que consome, é o que aponta a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) através de um estudo realizado no Centro de Agroindústria de Alimentos. O Brasil está entre os dez países que mais desperdiçam alimentos. Cerca de 35% da produção agrícola vai para o lixo, o que daria para alimentar mais de 10 milhões de pessoas. Para a nutricionista e doutora em saúde pública pela USP, Rita Maria Montenegro Goulart, tanto nos países ricos, quanto nos pobres as estatísticas indicam que se o consumo aumenta, igualmente parece aumentar o desperdício.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que nas dez maiores capitais do país, o cidadão consome 35 quilos de alimento ao ano, sendo dois a menos do que o total que joga fora. O que confirma a pesquisa da Embrapa. Diariamente 39 mil toneladas de alimento são jogadas no lixo. Esse desperdício é gerado não somente nas residências, mas também em mercados, feiras, açougues, fábricas e restaurantes.
“O próprio controle de qualidade das indústrias exclui do mercado muitos alimentos que certamente poderiam estar na mesa de qualquer brasileiro”, afirma Goulart. Ao primar pela qualidade de serviço, os restaurantes também acabam jogando refeições no lixo. Isso ocorre porque pela legislação federal os proprietários são responsáveis pela qualidade da alimentação que oferecem, o que inclui a doação. Estes estabelecimentos podem, ainda, responder civil e criminalmente por danos causados por seus produtos. A legislação é muito rígida e grande parte dos estabelecimentos preferem jogar no lixo o excedente, que não é resto, a doar para entidades necessitadas e se responsabilizar por isso.
De acordo com o livro Os bilhões jogados no lixo, do economista Sabetai Calderoni, todo esse desperdício corresponde a 1,4% do PIB brasileiro, ou seja, U$$ 8,4 bilhões são perdidos por ano. “A nutrição tem um papel definitivo na qualidade da saúde da população e a maior concentração de nutrientes está em talos e folhas que naturalmente são desprezados”, lamenta Goulart. Essas partes não-convencionais dos alimentos são capazes de produzir alimentos saudáveis e nutritivos. Com a casca do abacaxi é possível fazer suco, com a da banana um bolo. Basta um pouco de criatividade para diminuir o desperdício. A nutricionista Rita Goulart chama a atenção para a necessidade de se ter campanhas educativas que possam mostrar que é possível aproveitar de forma integral dos alimentos. O Instituto Akatu Pelo consumo consciente acredita que consumir menos não significa comer menos e sim comprar melhor e comer melhor por isso lançou a seguinte campanha “1/3 do que você compra vai direto para o lixo”.
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