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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Gritos do Silêncio

 
O filme “Gritos do Silêncio”, ao retratar a guerra do Camboja, que teve início nos primeiros anos da década de 70, mostra também a realidade dos jornalistas que são designados pelos veículos de comunicação onde trabalham para cobrirem os fatos que envolvem a guerra. A obra é baseada em fatos reais e em meio ao conflito, conta a história de Syd Schanberg (Sam Waterston), repórter norte-americano do jornal The New York Times, enviado ao Camboja para acompanhar os acontecimentos.

Logo que chega em terras vietnamitas, o jornalista encontra o intérprete (e também repórter) Dith Pran (Haing S. Ngor), além de jornalistas que vieram de outros países com o mesmo objetivo de Syd. O dia-a-dia deles no Camboja permite que o público entenda algumas das características da cobertura de um evento internacional. Através do personagem Syd, pode-se perceber a importância de o jornalista acompanhar os fatos de perto, afinal, existem informações, dados e fotografias que só podem ser obtidos por quem está no local, vivenciando tudo. É notável o esforço do personagem Syd em estar sempre próximo ao lugar onde a notícia acontece e isso remete a outro fator importante da cobertura internacional, assim como do jornalismo em si: é preciso ter conhecimento e sensibilidade para decidir o que é notícia e o que interessa. A diferença é que, estando em outro país e, principalmente, em meio a uma guerra, sem uma equipe de apoio, tudo se torna mais difícil.

Outra característica do jornalismo internacional é a falta de recursos. Justamente por estar longe da redação ou ambiente de trabalho, o repórter, muitas vezes, precisa improvisar e lidar com a precariedade de recursos, seja para apurar informações, redigir uma matéria ou envia-la para o veículo. Podemos notar isso na cena em que Syd está concluindo uma de suas matérias e a eletricidade acaba. Na época, era utilizada a máquina de escrever, ou seja, o problema não era relacionado ao funcionamento de um computador, mas sim ao fato de que a falta de luz caracteriza a precariedade do local. Isso, sem contar os bombardeios (constantes em uma zona de conflito) que muitas vezes danificavam o Telex, antigo sistema internacional de comunicações escritas, atrasando o envio dos textos para o Times, nos Estados Unidos. É claro que deve-se levar em consideração que o filme retrata a década de 70, quando não tínhamos a facilidade que a internet proporciona hoje. Ainda assim, de certa forma, a falta de recursos ou a dificuldade de se chegar a eles fazem parte da realidade atual de um enviado especial, principalmente se estiver em um país marcado pela pobreza, como o Camboja.


Além de correr muitos riscos em uma zona de guerra, o repórter tem dificuldade em obter e apurar informações. No filme, vemos que a população local é uma boa fonte de informação em meio à guerra ou pelo menos pode auxiliar o jornalista a chegar até a informação. O profissional lida com uma realidade difícil ao conviver com mortes, feridos e pessoas em desespero por terem perdido suas famílias ou suas casas. Além disso, precisa lidar com a hostilidade de grupos como o Khmer Vermelho (no caso do filme), grupo revolucionário que tentava implantar um novo regime na região, e até com a morte de colegas da imprensa. Ainda assim, o filme acha espaço para retratar o lado “humano” dos personagens, a união e a amizade entre eles, no caso de Syd e Dith e até dos outros jornalistas que viviam a mesma rotina difícil da cobertura de guerra.


Qualificação do jornalista internacional
Por ser uma área que abrange diversos temas, exige do repórter conhecimento de cultura geral e, principalmente, de política e economia internacional. O profissional precisa saber e acompanhar os principais acontecimentos do mundo e, como complemento, conhecer a história desses eventos. Dominar dois ou mais idiomas é um requisito fundamental.


Por Camila Batista, Eliandra Lopes, Kamila Johann e Tatiana Prisco Nassr

UM BANQUETE NO LIXO

 
O brasileiro joga fora mais do que consome, é o que aponta a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) através de um estudo realizado no Centro de Agroindústria de Alimentos. O Brasil está entre os dez países que mais desperdiçam alimentos. Cerca de 35% da produção agrícola vai para o lixo, o que daria para alimentar mais de 10 milhões de pessoas. Para a nutricionista e doutora em saúde pública pela USP, Rita Maria Montenegro Goulart, tanto nos países ricos, quanto nos pobres as estatísticas indicam que se o consumo aumenta, igualmente parece aumentar o desperdício.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que nas dez maiores capitais do país, o cidadão consome 35 quilos de alimento ao ano, sendo dois a menos do que o total que joga fora. O que confirma a pesquisa da Embrapa. Diariamente 39 mil toneladas de alimento são jogadas no lixo. Esse desperdício é gerado não somente nas residências, mas também em mercados, feiras, açougues, fábricas e restaurantes.

“O próprio controle de qualidade das indústrias exclui do mercado muitos alimentos que certamente poderiam estar na mesa de qualquer brasileiro”, afirma Goulart. Ao primar pela qualidade de serviço, os restaurantes também acabam jogando refeições no lixo. Isso ocorre porque pela legislação federal os proprietários são responsáveis pela qualidade da alimentação que oferecem, o que inclui a doação. Estes estabelecimentos podem, ainda, responder civil e criminalmente por danos causados por seus produtos. A legislação é muito rígida e grande parte dos estabelecimentos preferem jogar no lixo o excedente, que não é resto, a doar para entidades necessitadas e se responsabilizar por isso.

De acordo com o livro Os bilhões jogados no lixo, do economista Sabetai Calderoni, todo esse desperdício corresponde a 1,4% do PIB brasileiro, ou seja, U$$ 8,4 bilhões são perdidos por ano. “A nutrição tem um papel definitivo na qualidade da saúde da população e a maior concentração de nutrientes está em talos e folhas que naturalmente são desprezados”, lamenta Goulart. Essas partes não-convencionais dos alimentos são capazes de produzir alimentos saudáveis e nutritivos. Com a casca do abacaxi é possível fazer suco, com a da banana um bolo. Basta um pouco de criatividade para diminuir o desperdício. A nutricionista Rita Goulart chama a atenção para a necessidade de se ter campanhas educativas que possam mostrar que é possível aproveitar de forma integral dos alimentos. O Instituto Akatu Pelo consumo consciente acredita que consumir menos não significa comer menos e sim comprar melhor e comer melhor por isso lançou a seguinte campanha “1/3 do que você compra vai direto para o lixo”.